
“Never Mind What’s in Them, Bags Are the Fashion”, o NYTimes traz esse título, fazendo cobertura jornalística do mês mais consumista do ano – no país mais consumista do planeta.
Na Big Apple designers de Big Stores como Saks Fifth Avenue visionam “peças de arte moderna” e contratam renomados artistas gráficos para criá-las.
Na Lord & Taylor, os protótipos são manufaturados na Coréia, sob inspeção cuidadosa.
Um staff especial da Bergdorf Goodman mantêm reuniões secretas para as criações, que se estendem por até 9 meses, varando madrugadas.
O foco de toda essa correria não é a coleção de outono, nem da primavera: é o comércio das embalagens.
O que já foi um artigo humilde — usado para carregar compras para casa e para depois ser jogado no lixo, está se transformando em artigo de luxo.
Dos empórios mais classudos, às cadeias medianas, vendedores competem para fazer das mais duráveis, às mais modernas bags. E investem milhões de dólares em novos acessórios e materiais: do tipo de plástico, às alças mais resistentes.
Por trás dessa batalha aparentemente insignificante, uma ferramenta de publicidade poderosa: consumidores que caminham pelas ruas carregando anúncios ambulantes. As bags são transformadas em bolsas e reutilizadas por semana e até por meses: carregam as roupas para a lavanderia, os livros para a praia, o almoço para o escritório.
Mas só as melhores conseguem este feito. Então, aí está a razão da disputa acirrada das lojas em transformar embalagens em publicidade gratuita (e eficiente). A idéia é que essas bags se tornem duráveis e memoráveis, um acessório resplandecente no desenho urbano.
- Do ponto de vista jornalístico, uma interessante pauta para TV, principalmente no âmbito das grandes metrópoles, deve render imagens legais a invasão das bags pelas ruas, acredito que um fenômeno que já começa a se desenhar no Brasil. Apesar de nem se comparar ao que acontece nos EUA, é claro, em volume e qualidade (lá as embalagens são divinas, esteticamente mesmo muito bonitas, chamam mais atenção do que o conteúdo.
- Por outros pontos de vista, “consumismo desenfreado” e por aí vai, nem me atrevo a comentar, requer reflexões ambientais, políticas e sociológicas.