Madonna e sua turnê Stick and Sweet vem por aí e para aqueles sortudos que vão ter o prazer de assitir ao show da cantora pop mais famosa da atualidade, eis um relance do que podem esperar aqui:
O crítico musical do NYTimes, Jon Pareles, escreveu um artigo sobre a perfomance da cantora na primeira passagem pelos EUA, no Izod Center, em New Jersey.
Eis abaixo o artigo – e excelente texto. (Tradução e adaptação livre).

“Tique-taque, tique-taque”, os backing vocal de Madonna cantam, enquanto telões e alto-falantes explodem para a vida no Izod Center. O tempo obceca Madonna em sua turnê Sticky and Sweet, que fez sua primeira parada Americana aqui no Sábado.
O tempo significa batida e ritmo – e isto significa a história pop encapsulada nos hits que Madonna vem fazendo desde 1982. Também significa o envelhecimento que ela desafia com exercícios físicos, mudanças na imagem (através do uso de cosméticos e de inovações nos cabelos e nas roupas) e ao que parece com cirurgia plástica.

Aos 50, Madonna não pode mais ser vista como uma ingênua clubland, uma rainha glamourosa de Hollywood, uma iconoclasta que rejeita a educação Católico-Romana ou uma provocateur excêntrica, e ela também não é nenhuma espécie de matrona ainda. O tempo tem ressaltado seus pontos centrais: a de profissional ambiciosa e batalhadora teimosa.
Já existiu uma sex symbol pop mais fria? Por todas as indicações em suas letras, Madonna sempre projetou mais a diligência e o cálculo do que a afeição. Ela trabalha; sua audiência vê e paga, e se transforma em outra conquista.
“Eu posso continuar andando através da noite,” ela insiste em “Heartbeat,” do seu mais novo álbum, “Hard Candy” (Warner Brothers), que fornece praticamente metade das músicas apresentadas no show. Este era o propósito: Lá estava ela, aos 50(!), pavoneando-se, empurrando seus dançarinos, até mesmo fazendo passos de double-Dutch jump-rope sem fazer confusão.

Madonna construiu seu estrelato baseado em suas qualidades — seu ouvido para ganchos e batidas, sua visão, um profético senso fashion e um instinto para impulsionar novidades culturais —e o show Sticky and Sweet insiste, até exige que eles permaneçam tendo este efeito.
Ela infla o volume, acumula na batida e mistura o impossível de ser parado e o confuso, o eletrizante e o ridículo. A direção tem quatro seções temáticas: a pista de dança dos dias de hoje, a antiga escola, o extensivo grande mundo, e as aspirações políticas e espirituais (via pista de dança). Para grandes canções eletro de “Hard Candy” ela teve convidados hip-hop do álbum — Kanye West, e Pharrell Williams — atuando em elevadas telas de vídeo, dividindo o orgulhoso sentimento comercial de canções como “Candy Shop.”

A seção velha-escola teve como pano de fundo, personagens animados criados pelo artista Keith Haring, folheados através de elementos originais da cultura hip-hop — break dancing, D.J. scratching, double Dutch e graffiti — junto com um (incompreensível) pole dancing. Visto punk e hip-hop serem contemporâneos, Madonna também levantou a guitarra elétrica para uma versão punk-pop entusiástica de “Borderline.” Seus movimentos foram aeróbicos, não eróticos; em uma canção, outros dançarinos se apresentaram como se fossem personal trainers.
Então veio uma high-fashion, geograficamente misturada brincadeira internacional, enquanto dançarinos faziam movimentos de flamenco, tango, indianos e do Oriente Médio. A hispânica “La Isla Bonita” moveu-se para o Leste Europeu, enquanto Madonna lançava uma banda estilo Gypsy, com violino e acordeão. E isto a acompanhou na música que expôs sua voz: a balada “You Must Love Me,” com prolongadas notas tristes.

Madonna voltou para mensagens: um vídeo estilo save-the-world toperdeou suas boas intenções em excesso: justapondo John McCain com Hitler e Barack Obama com Gandhi.
Embora seu figurino e cabelo deixassem seu visual com jeito de personagem má de revista em quadrinhos dos anos 70, Madonna esteve próxima da inspiração, em uma versão carga de elétrons, de “Like a Prayer,” com rígidos professores religiosos ensinando, projetados no alto. Ela seguiu com toques de guitarra elevando versões de “Ray of Light” e, retornando às coisas terrestres, “Hung Up,” com um feedback final. Ela queria a velha credibilidade dos punks rebeldes.
“Ninguém vai me parar,” Madonna proclama, e no seu final, “Give It 2 Me.” Mas quando o show termina, o último vislumbre de Madonna foi um close-up no vídeo de sua face suada, séria e exausta. Ela teve que trabalhar duro e mostrou isto.
